Não precisa ter quem mande no povo, nem comunistas nem capitalistas. Nem militares nem civis. Enquanto defenderem objetivos particulares, nada feito. Cada pessoa é capaz de se governar e contribuir. No que envolve a coletividade, entretanto, a maioria não o faz. Delegam a exploração e aceitam-na. Por orgulho muitos não arregaçam as mangas, deixam o trabalho 'sujo' pra 'ralé' assalariada/escravizada em vez de se envolver e ajudar a melhorar a comunidade onde vivem, o que inclui auxiliar no processo de educar e nutrir de verdade os semelhantes (somos iguais em potencial, pelo menos) menos favorecidos, até que estejam fortes por si. Só que sem essa mão-de-obra explorada uma parte hoje privilegiada nem ia comer sem trabalhar 'pesado', então deixa como está. As nações se tornaram dependentes umas das outras. As pessoas umas das outras e das organizações (e quase todos do dinheiro oco dos americanos). Sem ajuda humanitária muita gente morre, sem comércio ou bancos também. Poderíamos ter todas pessoas que quisessem devidamente instruídas em mil coisas e trilhões de novas invenções e descobertas. Os nortecoreanos são estimulados às artes, mas também a manter sua cultura e tradição intocadas, à disciplina; os norteamericanos ao patriotismo exacerbado, à preguiça consumista, à ousadia. Ambos são abusivamente doutrinados, mas até onde entendo o pensamento humano, a arte convida a emotividade, o que traz percepção diferenciada. Nesse ponto, vantagem para os povos orientais. Ouço pessoas de lá apoiando seus líderes, elogiando suas condutas. Aqui, vivemos reconhecendo a podridão dos nossos chefes políticos. Em documentário sobre Marighella e o período anterior à ditadura descobri que o programa mais ouvido na Rádio Nacional (tomada pelos rebeldes e predileta da população) tinha grande audiência porque transmitia programas noticiosos violentos. Nossas notícias locais hoje só mostram sangue, vemos o brasileiro como um selvagem. Isso que se vê ocorre, sim, mas é uma meia-verdade, porque é só o que se vê. A verdade oculta é que tem gente que faz coisa boa, mas isso quase nunca aparece, então a perspectiva adotada pela mídia e mostrada a todos indica que esses são os homens e mulheres de nossos dias. Quebram o que bem queiram ou são vitimizados. Não fazem crescer, apenas tomam ou são roubados. Nos filmes americanos só aparecem ricos e gênios, heróis invencíveis ou vilões brilhantes, parecendo que são incrivelmente superiores. Até onde sei, a grande maioria não tem esse perfil. Como aqui, estudam pra se formar e conseguir um emprego, não pra aprender e se desenvolver. Seguem as tendências ditadas. Dessa maneira se cria cultura, mas o problema é que o que se cultiva em nós tem sido decidido por gente má. Dos dois lados, muitos operários em fábricas e construções, pessoas nas lavouras sem instrução formal. Possuem, sim, um aparato de armas e comunicação único, controlado por poucos. Devem tudo isso. Os americanos devem dinheiro aos cabeças chineses que nessa jogada tomam as riquezas minerais de todo planeta por meio dos seus associados. O que nos espera ao seguir essa trajetória? Banhos de sangue. Tudo bem, assim garantiremos o petróleo das gerações futuras. Se repete a história e segue mal contada. Eu? Não sou governável por outros, o que não me exime de participar e construir. E tu?